ARTE E CULTURA

Nada do que foi será de novo do jeito que já foi um dia

#0291 29 DE JULHO DE 2026
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Do mesmo jeito que Lulu Santos nos lembra que a mudança é a única certeza que temos na vida, não podemos negar que ela também é um ciclo e que, principalmente na arte e na moda, tudo sempre volta a algum ponto anterior. Obviamente com uma nova leitura, mas atrás do mesmo objetivo.

E é exatamente com essa ideia que nasce o Neoclassicismo!



Nada do que foi será de novo do jeito que já foi um diaA morte de Sócrates- David, 1787
Fonte: Acervo pessoal

Ele surgiu em meados do século XVIII e durou até o século XIX, logo após a Revolução Francesa e no início da Revolução Industrial, ou seja, ele nasce na Era das Revoluções e no auge do Iluminismo.

O Neoclassicismo foi um movimento cultural, artístico e intelectual, que visava resgatar os valores e padrões estéticos da Antiguidade Clássica, assim como o Renascimento, mas com forte influência do Iluminismo e da Revolução Francesa. Ou seja, ele valorizava a razão, a simetria, o equilíbrio e a proporção, se opondo aos excessos do Barroco e à superficialidade do Rococó.

Porém, apesar de querer voltar ao clássico, ainda carregava uma certa dramaticidade, que existia na arte Barroca.



Nada do que foi será de novo do jeito que já foi um diaA morte de Marat- David, 1793
Fonte: Acervo pessoal

Pelo Iluminismo ser muito importante para os artistas da época, os neoclassicistas se opunham ao pensamento religioso, eles acreditavam que o ser humano chegaria a Deus através da razão e do conhecimento. Sendo assim, eles não eram contra Deus, mas sim contra a Igreja.



Nada do que foi será de novo do jeito que já foi um diaRetrato de René Descartes, Frans Hals
Fonte: Wikipédia
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René Descartes, um dos precursores do Iluminismo, pregava que deveríamos questionar toda a nossa realidade e tudo o que chega ou é imposto para nós, com isso toda uma sociedade começou a se questionar sobre o mundo em que viviam e até mesmo sobre o regime em que estavam impostos.

Não à toa, acontece a Revolução Francesa, que mudou o regime político francês. E curiosamente ou não, Jacques-Louis David, um dos principais pintores do Neoclassicismo, não era apenas um pintor, mas também um político aliado aos jacobinos.

Era um momento em que toda uma sociedade estava se questionando e buscando por conhecimento, inclusive é nessa época em que surgem as enciclopédias.



Nada do que foi será de novo do jeito que já foi um diaIntervenção das Sabinas, David, 1799
Fonte: ArteRef
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A arte neoclássica é muito focada nos traços firmes, na luz, na proporção, no equilíbrio e na clareza. Existia uma busca pelo que era racional, acadêmico, harmônico e esteticamente belo. Os temas mitológicos, históricos e heróicos eram os mais explorados.

Os principais artistas do Neoclassicismo foram Jacques-Louis David, Antonio Canova, Jean-Auguste-Dominique Ingres, Jean-Baptiste Debret e Angelica Kauffmann.



Nada do que foi será de novo do jeito que já foi um diaO Juramento dos Horácios- David, 1784
Fonte: Acervo pessoal

Jacques-Louis David foi um dos principais artistas do Neoclassicismo e o pintor oficial da Revolução Francesa e de Napoleão Bonaparte. Foi ele quem relançou a Academia Francesa. Suas obras remetem a momentos históricos e valorizavam o heroísmo, o dever cívico e até mesmo a moralidade, usando cores firmes e composições teatrais.



Nada do que foi será de novo do jeito que já foi um diaAs Três Graças- Antonio Canova, 1813 e 1817
Fonte: Vício da Poesia
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Antonio Canova, foi o maior escultor do Neoclassicismo. Ele buscava o ápice do realismo em suas esculturas, combinando a busca pela simetria grega com extrema delicadeza e suavidade nas formas.



Nada do que foi será de novo do jeito que já foi um diaTétis e Júpiter- Ingres, 1811
Fonte: Acervo pessoal

Jean-Auguste-Dominique Ingres foi aluno de Jacques-Louis David, e prioriza em suas obras a perfeição do desenho e da linha sobre a cor. Ficou famoso por retratar a alta sociedade e nus femininos idealizados, que misturavam o extremo realismo clássico com um toque de sensualidade e emoção, descendentes do Barroco.



Nada do que foi será de novo do jeito que já foi um diaAplicação do Castigo do Açoite- Jean Debret, 1830
Fonte: BBC
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Jean-Baptiste Debret, por sua vez, foi um pintor francês que se mudou para o Brasil na Missão Artística Francesa, em 1816, onde um grupo de intelectuais e artistas foram convocados por D. João VI para modernizar a cultura e fundar a Academia Imperial de Belas Artes. Em suas obras, ele busca o rigor técnico Neoclassicismo para registrar a natureza brasileira, a corte real e o cotidiano da sociedade escravocrata.



Nada do que foi será de novo do jeito que já foi um diaA tristeza de Telêmaco- Angelica Kauffmann, 1783
Fonte: Etsy
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E por fim, mas obviamente não menos importante, temos uma mulher como referência. Em um ambiente e época ainda muito machistas. Angelica Kauffmann era uma pintora suíça muito respeitada na Europa e uma das duas únicas mulheres, junto com a artista inglesa Mary Moser, fundadoras da Royal Academy de Londres. Em sua maioria, suas obras retratavam grandes cenas históricas e mitológicas.

O Neoclassicismo nos mostra que apesar de nos inspirarmos no passado, não precisamos seguir ele à risca. Podemos questionar o momento, a sociedade e o ambiente em que estamos, atrás de respostas no antes e, principalmente, no agora.






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