Do equilíbrio à teatralidade
#0290 24 DE JUNHO DE 2026

Em meio a contra-reforma do século XVI e XVII e a crise do renascimento, surge um outro movimento artístico, que foi um dos mais importantes da história da arte. E estamos falando do Barroco.
A prisão de Cristo, c.1598-1602- CaravaggioFonte:
Após a perda de fiéis, devido a Reforma Protestante, a Igreja Católica promoveu o Concílio de Trento (1545), que durou 18 anos, muito por conta das guerras e das pestes.
Nele os bispos e o Papa tomaram decisões cruciais para reformar a estrutura eclesiástica e reafirmar dogmas tradicionais que haviam sido questionados pelos protestantes.
E foi nesse período que surgiu o Barroco, um estilo que dominou a arquitetura, a pintura, a literatura e a música da Europa naquela época.
O Sacrifício de Isaac, 1603- CaravaggioFonte: Acervo Pessoal
A arte incorporou princípios de teatralidade e luz e sombra, que a afastaram do período do renascimento. Sua estética rebuscada e emocionante foi usada para “reconquistar almas” e frear o avanço do protestantismo.
O otimismo racional do renascimento deu espaço a um período de incertezas, guerras religiosas e absolutismo. E o homem, por sua vez, se viu dividido entre o teocentrismo e o antropocentrismo.
E essa dualidade permeou o modo como os artistas de relacionavam com uma ideia ampla de Barroco, que navegou por diversas obras e se estendeu até o rococó.
Foi nessa época também que surgiu a ópera e que René Descartes escreveu sua memorável frase: “Penso, logo existo.” Onde ele tratava o mundo como uma grande ilusão. Nada mais Barroco do que isso.
Ceia em Emaus, 1602-3- CaravaggioFonte: Acervo Pessoal
A Arte Barroca não era linear, como a do renascimento. A ideia de equilíbrio e de contemplar uma ideia ficou para trás. O Barroco representa a exaustão, o momento presente, algo que não é preciso, que é tortuoso e teatral.
Aliás, a teatralidade, com toda a sua exuberância de detalhes, é a principal característica do Barroco.
Os principais artistas desse período são: Caravaggio, Bernini, Rembrandt e Velázquez.
Medusa, 1595- CaravaggioFonte: Acervo Pessoal
Caravaggio foi um dos artistas mais importantes do Barroco, através de seu realismo visceral e do contraste entre luz e sombra extremamente acentuado, a fim de gerar uma visão tridimensional em suas obras, trouxe à tona toda a sua dramaticidade e emoção.
O rapto de Proserpina (Perséfone), 1622- BerniniFonte: Acervo Pessoal
Bernini por sua vez foi o artista mais abrangente do momento, sua arte passou pela pintura, pela arquitetura e pela escultura. Ele foi o escultor mais importante da história do Barroco e todas as suas obras buscavam expressar a teatralidade, o pathos e o dinamismo das emoções humanas.
A Ronda Noturna (A Companhia de Frans Banning Cocq e Willem van Ruytenburgh), 1642- RembrandtFonte: Acervo Pessoal
Rembrandt era um pintor holandês, que não pertencia a igreja, e suas obras ficaram conhecidas pelo realismo psicológico, pela pincelada expressiva, muitas vezes em alto-relevo, e, acima de tudo, pelo domínio do jogo de luz e sombra. Diferente de Caravaggio, a luz nascia aos poucos em suas obras e não como um holofote.
Las Meninas, 1656- Diego VelázquezFonte: Acervo Pessoal
E por fim, Velázquez, grande pintor do Barroco Espanhol. Velázquez utilizava muito, e muito bem, o preto em suas pinturas, onde buscava retratar com realismo absoluto tanto a corte quanto o povo em suas obras.
Enquanto no renascimento falamos sobre simetria e equilíbrio, a arte barroca é visceral, apaixonada e emocionante. A cada pintura parece que você está assistindo a uma peça de teatro, presa a uma cena específica que está acontecendo naquele determinado momento. Pois, nada mais importa, nem o que veio antes e nem o que virá depois, somente o agora.
E há algo de mágico em viver a vida dessa forma.
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