Romantismo: e tudo aquilo que a razão não consegue explicar?
#0292 26 DE AGOSTO DE 2026

Simultaneamente ao Neoclassismo, nasceu o Romantismo, um movimento artístico, cultural e intelectual europeu, que perdurou entre o final do século XVIII e a primeira metade do século XIX.
A Barca de Dante, 1822- Eugène DelacroixFonte: Acervo pessoal
Ele nasceu, principalmente, como uma reação ao racionalismo do Iluminismo, às regras do Neoclassicismo e às transformações provocadas pela Revolução Industrial e pela Revolução Francesa.
Apesar de acontecerem no mesmo momento da história, a ideia central do Romantismo é praticamente uma inversão do pensamento neoclássico.
Enquanto o Neoclassicismo era razão, ordem, equilíbrio e antiguidade clássica. O Romantismo era emoção, imaginação, individualidade, natureza e liberdade.
O Verão – Diana (Artémis) surpreendida por Acteão, 1856- Eugène DelacroixFonte: Acervo pessoal
Para os artistas românticos, sentir era tão importante quanto pensar. A arte não era uma representação perfeita da ordem do mundo. Pelo contrário, ela podia, e devia, mostrar medo, paixão, solidão, violência, sonho, melancolia e tudo aquilo que a razão não consegue explicar.
O conceito de Sublime foi um dos conceitos mais importantes para entender o Romantismo.
O belo provoca prazer e harmonia. O sublime é aquilo que é tão grandioso, poderoso ou assustador que provoca simultaneamente fascínio e medo.
Uma tempestade no oceano, uma montanha gigantesca, um precipício ou uma paisagem infinita fazem o ser humano perceber sua própria pequenez.
Naufrágio, 1805- J. M. W. TurnerFonte: ArteRef
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É por isso que a natureza romântica não costuma ser apenas "bonita". Ela tende a ser avassaladora.
E alguns dos principais artistas desse movimento foram: Eugène Delacroix, Caspar David Friedrich, Théodore Géricault e J. M. W. Turner.
A Liberdade guiando o Povo, 1830- Eugène DelacroixFonte: Acervo pessoal
Eugène Delacroix talvez tenha sido o artista mais conhecido do Romantismo, ele representava uma vertente mais política, dramática e passional do Romantismo francês. Por exemplo, em sua obra A Liberdade Guiando o Povo, de 1830, transformou a Revolução Francesa em uma imagem monumental de liberdade.
O viajante sobre o mar de névoa, 1817- Caspar David FriedrichFonte: Artrianon
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Já Caspar David Friedrich é talvez o melhor artista para entendermos o lado contemplativo do Romantismo alemão. Na obra O Caminhante sobre o Mar de Névoa, o homem aparece diante de uma natureza imensa e misteriosa. É praticamente a imagem definitiva do indivíduo romântico diante do sublime.
A Jangada da Medusa, 1819- Théodore GéricaultFonte: ArteRef
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Théodore Géricault, por sua vez, na obra A Balsa da Medusa, retratou um naufrágio real e escandaloso. Corpos, sofrimento, desespero e esperança substituem a serenidade idealizada da pintura acadêmica do Neoclassicismo.
Tempestade de Neve: Hannibal e seu Exército Cruzando os Alpes, 1812Fonte: Artmajeur
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E por fim, J. M. W. Turner levou paisagem, luz e atmosfera quase à abstração. Tempestades, incêndios e mares violentos tornaram-se experiências emocionais e sua pintura posteriormente foi muito importante para o desenvolvimento da arte moderna.
O Romantismo foi muito maior do que um movimento artístico visual.
Na literatura, aparecem nomes como Goethe, Lord Byron, Victor Hugo, Mary Shelley e os irmãos Brontë. Na música, o romantismo está associado a compositores como Chopin, Schumann, Liszt e Wagner.
Frankenstein- Mary ShelleyFonte: Infinity Nerd
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Isso nos ajuda a entender Frankenstein, por exemplo: natureza, emoção extrema, individualidade, ciência ultrapassando os seus limites, tragédia e o confronto entre razão e aquilo que a razão não consegue controlar, eram questões profundamente românticas.
Se o Renascimento colocou o homem no centro e o Iluminismo depositou enorme confiança na razão, o Romantismo questionou: e tudo aquilo que a razão não consegue explicar?
Como os sonhos, as paixões, os medos, os desejos, a natureza, a morte, o mistério e a liberdade.
Foi justamente com essa visão que o Romantismo construiu sua identidade e por isso ele é fundamental para entender muito do que depois surgiria no Simbolismo, no Expressionismo, no Surrealismo e até na nossa ideia contemporânea de artista como alguém profundamente individual e emocional.
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